
Texto base da Conferência Estadual Ordinária do PCdoB – PR
Introdução
1. O PCdoB realiza sua conferência ordinária para ajustar seu processo de reorganização e ação partidária para a nova realidade criada após a eleição de 2010. Inicia novo rumo para a acumulação de forças na realidade do Paraná. Elabora um novo projeto político e eleitoral, para conferir novas perspectivas à sua militância em todo o Estado e demonstrar que há lugar para todos. Sobretudo quer se constituir como uma via para o ingresso na política de inúmeras lideranças populares, a se juntar na grande jornada por um novo projeto nacional de desenvolvimento como rumo para a luta socialista no Brasil. Para isso o partido abre suas portas a novas candidaturas. Queremos dar vazão a essas novas forças, para dialogar mais amplamente com a população da sociedade paranaense. Renovar ainda mais o partido, no espírito das conclusões desta conferência. Temos convicção de que o partido vencerá mais esta etapa para ficar melhor, apresentar-se como alternativa política e definir mais a fundo o caráter e o papel do PCdoB.
2. O resultado eleitoral de outubro de 2010, o desempenho do fator partido na batalha, evidenciou não apenas um revés político-eleitoral, mas um ponto de inflexão na trajetória partidária.
3. Cabe a toda a militância, em especial aos quadros de maior responsabilidade, tomar o destino do partido nas mãos, com compromisso e responsabilidade, para produzir coesão em torno de um novo projeto, coletivamente formulado, de intervenção política, social, de idéias e na estruturação partidária, no cenário político desconfortável que resultou das urnas no Estado.
4. Tendo isso por foco, a Conferência deve ser capaz de extrair lições claras e concentradas dos antecedentes remotos e próximos da crise, que relegou o PCdoB-PR a crônicos e intermináveis conflitos internos, subtraindo perspectiva, ânimo, motivação e força à atuação dos militantes.
5. O coroamento desse esforço será a reorganizacao coletiva e comprometida da nova direção estadual, capaz de empolgar toda militancia partidaria com métodos democráticos, participativos, transparentes, unitários e disciplinados, tendo por eixo o novo projeto político partidário, num cenario politico, conservador e desfavoravel.
5.1 O quadro de referência para a elaboração do novo projeto político foi modificado em direção mais conservadora e desfavorável ao projeto nacional do PCdoB. Essencialmente, ele é marcado pelo fim de um ciclo político hegemonizado durante oito anos pelo PMDB e o governador Roberto Requião.
5.2 O pólo prevalente na nova cena política é o PSDB e o governador Beto Richa, de antecedentes claramente neoliberais, é a figura em ascensão entre os grupos de oposicao ao governo federal e vai somando apoios amplos, ocupando o centro político, isolando o PT e a esquerda, neutralizando setores intermediários com assédio político. Forma extenso arco de apoio partidário e de segmentos partidários. Alinha-se, portanto, com o campo conservador nacional, representado pelo PSDB, DEM e PPS e será peça relevante na disputa e sua posição nacional dependerá dos termos da disputa no seio do PSDB.
5.3 O único pólo fortalecido na contratendência da vitória conservadora foi o PT. Elegeu a senadora Gleisi Hoffmann, tem o fortalecido ministro Paulo Bernardo, inúmeras lideranças eleitas como deputados nos maiores centros municipais do Estado. Seu projeto se desenha para 2014 na disputa do governo, passando por candidaturas de acumulação de forças em 2012 em vários pólos do Estado.
5.4 Das demais forças destacam-se a vitória singular de Roberto Requião ao Senado, tendo um PMDB fragmentado em três frações. Além disso, esse partido tem prefeituras em pequenos municípios e uma bancada estadual majoritariamente alinhada com o novo governo do PSDB. Requião, mesmo durante a campanha e possivelmente projetando isso para o futuro imediato, faz política pendular, operando entre os dois novos campos polares, PSDB e PT.
5.5 O PDT- sobrepujado no processo eleitoral 2010 – se rearticula como força influente no cenário estadual, principalmente após o ingresso de Gustavo Fruet e poderá se constituir em pólo aglutinador do campo progressista para disputar a eleição da capital. O PSB se qualifica a disputar Curitiba, alinhado com o governador do PSDB. As demais forças são o PV (sob forte assédio do governo PSDB), o PSC do deputado Ratinho Júnior e o PCdoB, não polarizadas pelo governo.
5.6 A nova administração está concentrando esforços em atacar e criminalizar o governo anterior, não tendo apresentado até o momento um projeto claro de realizações substanciais para o conjunto da sociedade paranaense. A agenda do governador Richa trafega na direção de um determinado ajuste fiscal no Estado. Vai ficando claro que atual governo é aliado inconteste das concessionárias de pedágio, agindo criminosamente contra a economia paranaense ao negociar ampliação das praças de pedágios e prorrogação dos atuais contratos. As privatizações já estão em pauta, segundo declarações do próprio governo serão implementadas. A exemplo da CELEPAR, do esvaziamento dos programas sociais e indica uma forte política de contenção salarial do funcionalismo. Defende o porto público em Paranaguá, mas opera em vários segmentos com privatização de terminais, de serviços, contratos terceirizados etc. Buscará facilitar a implantação de negócios no Estado com incentivos fiscais e outras medidas. Apesar de um estilo de “Aécio das Araucárias”, o núcleo político do governo é conservador, inclusive com egressos da influência do núcleo de Lerner, ex-governador. No palco do PSDB nacional, Richa se apresenta como renovador, um “novo pólo”, fala em “oxigenar a oposição”. Neste momento, com esse discurso não deixa claro que alinhamento terá com os campos em disputa pela hegemonia no PSDB, que deriva das opções entre Aécio, Serra, Alckmin para 2014. No Paraná, tem controle seguro do PSDB e do DEM aqui. Álvaro Dias faz oposição minoritariamente. Pode-se dizer que Richa é uma expressão concentrada da política tucana no país, de matiz conservador que incorporou os segmentos político-sociais mais atrasados do Estado, e padece neste momento de seus dilemas como oposição a Dilma Rousseff.
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