Posts filed under ‘“Navegar é preciso” – Luiz Manfredini’

Navegar é preciso

A nossa dor e a dor dos outros

Luiz Manfredini *

Insuportável assistir, na semana que passou (e talvez na semana que se inicia), o choroso noticiário de TV a respeito das bombas que explodiram na maratona de Boston no último dia 15, com mortos e feridos. O episódio foi, de fato, violento, lastimável, condenável sob todos os aspectos. Como afirmou o governo cubano, em sua reprovação ao episódio, deve ser rechaçado todo ato de terrorismo “em qualquer lugar, sob qualquer circunstância e quaisquer que sejam as motivações alegadas”.

A despeito da justa indignação que as explosões causaram, a repercussão na grande mídia brasileira foi exagerada. A exaustiva ruminação do fato, até em seus detalhes mais inexpressivos, deu a impressão de que a dor dos norte-americanos vale mais do que a dor do resto do mundo, chancelada que foi como a dor suprema da humanidade nos dias que correm.
Não é. É larga e intensa, é legítima, merece irrestrita solidariedade, mas não é a dor maior do mundo.

Valeria mais que a dos palestinos massacrados cotidianamente pelo genocídio sionista apoiado pelos EUA? Mais que a dos sírios, esmagados por uma guerra insuflada por Israel e pelo imperialismo norte-americano? Mais que a dor dos tantos afegãos e iraquianos mortos pelas guerras que lhe foram travadas pelo império? Fiquemos por aqui. Há muito mais dor no mundo, boa parte disseminada pelo expansionismo belicista norte-americano. Valeriam menos que o justo sofrimento dos bostonianos? Não. Definitivamente não.
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22/04/2013 at 13:31 Deixe um comentário

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O fantasma do poder evangélico

*Luiz Manfredini

Observadores do atual cenário político brasileiro vêm percebendo, no imbróglio resultante da eleição do Deputado Marco Feliciano (PSC-SP) para a Presidência da Comissão de Direitos Humanos e de Minorias da Câmara Federal,algo mais do que as posições racistas e homofóbicas em si mesmas do parlamentar, que é pastor evangélico. Trata-se, como escreveu o jornalista Jânio de Freitas em sua coluna na “Folha de S. Paulo”.do “primeiro embate relevante em que os evangélicos se põem como um novo bloco orgânico, ideologicamente bem definido e poderoso”.

Segundo o pastor Ricardo Gondim, líder da Igreja Betesda, mestre em teologia pela Universidade Metodista e que se considera um dissidente do fundamentalismo evangélico, o movimento neopentecostal – o que mais cresce no Brasil – “se expande com um projeto de poder e imposição de valores” com o objetivo de ser maioria e “cada vez mais definir o rumo das eleições e, quem sabe, escolher o presidente da República”. Para Gondim, “seria a talebanização do Brasil”.

Jânio de Freitas vai no mesmo sentido quando afirma, em seu artigo, que “nenhum segmento político está em mais condições de crescer, nas eleições do ano próximo para o Congresso, do que os evangélicos”. É o caminho para uma república teocrática, avessa à tolerância religiosa dos brasileiros, e inusitada ameaça à laicidade do Estado.

Atual porta-voz desse fundamentalismo, o deputado Marco Feliciano torna-se cada vez mais agressivo, a despeito das manifestações que não cessam contra sua permanência à frente da Comissão de Direito Humanos. É claro que boa parte dessa postura alimenta objetivos eleitorais. O próprio partido a que pertence, o Partido Social-Cristão (PSC) prevê que, ao radicalizar o discurso, Feliciano poderá triplicar os 211 mil votos que obteve em 2010.

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08/04/2013 at 09:20 Deixe um comentário

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Uma Kombi já não basta ao PCdoB

*Luiz Manfredini

 Quando o PCdoB emergiu para a legalidade, em maio de 1985, alguns desinformados – e outros de má fé – diziam que os comunistas cabiam num fusca. Depois, numa Kombi. Mais tarde, uns surpresos – outros,contrariados – perceberam que, para reunir os comunistas, talvez fosse mais apropriado um vagão ferroviário ou mesmo uma composição. Os comunistas não eram, afinal, tão poucos quanto se imaginava e, com o tempo, se percebeu que, para juntá-los, nem mesmo um navio seria o suficiente, ou uma esquadra. Ainda hoje, quando para reunir os comunistas do PCdoB seriam necessários pelo menos quatro maracanãs lotados, há quem ainda os subestime.

Mas os números não mentem. O PCdoB chega aos 91 anos de existência (o mais antigo partido político brasileiro ainda em atividade), comemorados em 25 de março, com mais de 330 mil filiados em todo o Brasil, segundo os últimos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de novembro do ano passado. Essa multidão – que deverá crescer substancialmente até o 13o congresso nacional do Partido, cuja plenária final está marcada para novembro próximo – está presente em cerca de 2.300 municípios de todos os estados da federação e no Distrito Federal. O mais significativo é que, entre o total de filiados, o PCdoB dispõe de expressiva massa crítica e atuante, de elevado nível político, representada por 2.500 quadros nacionais e 40 mil estaduais e municipais. Sua bancada no Congresso Nacional – 14 deputados e dois senadores – é reconhecida como altamente preparada e ativa na defesa das causas democráticas e progressistas. O Partido ainda possui 18 deputados estaduais, 58 prefeitos e 976 vereadores. Não é um partido grande, mas obviamente já não basta uma Kombi para abriga-lo.

Orgulho

Mais que sua alentada e próspera composição orgânica – por si só fator de orgulho – é seu percurso de lutas e de absoluta fidelidade aos interesses do Brasil e dos brasileiros o que mais honra o PCdoB. Lutas pela democracia, pela justiça social, a soberania do Brasil e o socialismo, travadas ininterruptamente desde 25 de março de 1922, mesmo sob as mais dramáticas circunstâncias de terror ditatorial. Uma trajetória que o inseriu nos principais momentos da história política do Brasil no século 20, nos mais diversos cenários, desde a insurreição de 1935, a resistência ao Estado Novo sob os rigores da clandestinidade, a destacada participação na Assembleia Constituinte de 1946,a volta à clandestinidade a partir de 1947 e, ainda assim, a participação cotidiana nas lutas sociais e políticas dos anos 50.

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25/03/2013 at 08:55 Deixe um comentário

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Reforma ou revolução?

*Luiz Manfredini

 Há 55 anos, em março de 1958, pouco mais de seis meses após o XX Congresso do PCUS, de matiz nitidamente reformista, o Comitê Central do Partido Comunista do Brasil, que então usava a tradicional sigla PCB, aprovou nova orientação política.João Amazonas e Maurício Grabois votaram contra. No dia 22 daquele mês, a “Voz Operária”, órgão oficial do Partido, publicou o documento que expunha a nova diretriz. Era a “Declaração sobre a Política do PCB”, mais conhecida como a “Declaração de Março”,

Na declaração estavam registradas as ideias centrais que alimentariam intensa e extensa luta ideológica nas fileiras partidárias nos anos seguintes. Segundo o historiador Augusto Buonicore, na obra “Contribuição à História do Partido Comunista do Brasil”, organizada com José Carlos Ruy, a declaração “consolidou a guinada à direita no Partido Comunista do Brasil”. Segundo Buonicore, “começavam, assim, a ser definidas mais nitidamente duas tendências no interior do Partido: uma reformista e outra revolucionária. Estas duas tendências opostas iriam se enfrentar durante nos debates preparatórios ao 5o Congresso do Partido e depois se separar em duas organizações políticas distintas e em disputa: o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Comunista Brasileira (PCB)”.

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11/03/2013 at 09:46 Deixe um comentário

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Um paradoxo da atualidade

Luiz Manfredini

Olá, camaradas!

A Secretaria de Formação do Comitê Estadual vai reunir, no próximo dia 15, em Curitiba, os camaradas docentes do terceiro grau no Estado. Virá gente de Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Irati, Ponta-Grossa e, naturalmente, de Curitiba. Será o Encontro do PCdoB na Área Acadêmica do Paraná, que deverá lançar os fundamentos do projeto para a consolidação e ampliação do Partido nessa área estratégica da luta de idéias, privilegiando o local onde se produz e difunde o conhecimento. Os alicerces desse projeto serão erguidos a partir dessa reunião, que terá como substrato teórico o  tema A questão da hegemonia e a dimensão estratégica da luta de idéias, a ser exposto por Augusto Buonicore, historiador,  mestre em ciência política pela Unicamp, membro da Comissão Nacional de Formação e Propaganda, da Escola Nacional e do Comitê Central.

Pensando nesse importante evento, inédito na história do nosso Partido no Estado, lembrei-me da intervenção que fiz na sessão plenária do 10o Congresso do Partido, realizado em fins de 2001, no Rio de Janeiro. E imaginei que deveria compartilhá-la com vocês, já que estamos às voltas com o mesmo tema, cuja importância o tempo decorrido entre hoje a aquela intervenção só fez reforçar. Vamos à intervenção.

Há um paradoxo que, a meu ver, torna ímpar a luta revolucionária no século que se inicia sob algumas luzes e muitas sombras.

A grande ofensiva do capital, expressa no neoliberalismo ainda hegemônico – ao excluir 2/3 da Humanidade dos benefícios da riqueza socialmente produzida – aumenta dramaticamente as condições objetivas para a transformação da sociedade.

Ao mesmo tempo, por meio de gigantesca campanha ideológica, disseminada sobretudo por meios de comunicação cada vez mais modernos e abrangentes, reduz significativamente, inusitadamente, as condições subjetivas para a mudança social.

Este é o paradoxo.

A revolução normalmente ocorre – e a história o comprova sobejamente – sem que haja uma consciência socialista amplamente disseminada na sociedade.

Mas não há revolução capaz de se impor onde predomine – e em larga escala – a subjetividade subserviente, esse traço estrutural no capitalismo elevado à enésima potência pela ideologia neoliberal e que se expressa socialmente na alienação em massa.

Eis um campo que diz respeito, fundamentalmente,ente, ao partido, instrumento organizacional para a transmissão da consciência de classe ao proletariado, ao universo geral dos trabalhadores e amplas camadas sociais apartadas, pelo capitalismo, dos benefícios do desenvolvimento econômico e social.

O partido, que já dispõe de uma direção estr5atégica e de soluções táticas suficientemente amadurecidas, deve estar cada vez mais apto a fazer frente à acirrada luta de idéias que perpassa a obra revolucionária, de modo a ampliar, tanto quanto possível,  as condições subjetivas para a revolução.

Toca-nos a luta contra o imperativo da subserviência, do horror à política e da alienação largamente disseminadas pela exclusão econômica, contenção política e dominação ideológica do capitalismo neoliberal.

E, no campo da esquerda – com a amplitude e a habilidade necessárias e sob uma apreciação política ajustada à tática – disputar a hegemonia numa circunstância que ainda nos é adversa. Luta pela hegemonia tendo como eixo a amplitude e a radicalidade que, a um só tempo, informam a perspectiva da ruptura com o neoliberalismo, luta pela hegemonia no contexto da unidade ideológica necessária às transformações sociais no Brasil porque, do contrário, será a busca da hegemonia no vazio.

E para que não ocorra no vazio, abstratamente, a luta pela hegemonia – que é, essencialmente, uma luta de idéias- deve implicar, além da disseminação de conhecimentos estabelecidos, a produção de um saber revolucionário permeado por um sentido de brasilidade capaz de conferir à nossa atuação a concretude necessária para, efetivamente, jogar peso na transformação da sociedade brasileira.

A atual crise financeira, que questiona em profundidade os fundamentos do projeto neoliberal, tanto em sua face econômica quando na ideológica, cultural, de valores, favorece em muito a afirmação do ideário progressista, anti-neoliberal, socialista que defendemos. Ou seja: o capital está na defensiva; ataquemo-lo!

Um abraço a todos. E até segunda.

Luiz Manfredini, jornalista, escritor, autor dos romances As Moças de Minas e Memória de Neblina (com lançamento previsto para o início de 2009). É colunista do portal Vermelho, membro do Comitê Estadual do PCdoB do Paraná, do Conselho Editorial da revista Princípios, do Conselho Nacional do Instituto Maurício Grabois (IMG) e do Conselho Editorial da Editora Anita Garibaldi.

luiz-manfredini@uol.com.br

03/11/2008 at 07:16 Deixe um comentário

Navegar é Preciso

Então, mãos à obra!

Luiz Manfredini

Olá, camaradas!

O Secretariado do Comitê Estadual aprovou – e vai propor à Comissão Política, que se reúne no próximo dia 1o de novembro, em Curitiba – o lançamento da campanha “Mais PCdoB”, sugerida pela coluna na segunda-feira passada, dia 13 (“Mais luta, mais PCdoB!”). A iniciativa será sacramentada pelo Comitê Estadual, em sua plenária de 6 de dezembro.

Isto significa que, daqui até as vésperas da campanha de 2010, todo o Partido no Estado estará mergulhado numa campanha ampla, massiva, profunda de fortalecimento político, teórico-ideológico, orgânico e material. O processo eleitoral recém concluído expandiu a ação do Partido, deu-lhe maior visibilidade, o colocou em contato (diretamente ou pela TV e rádio) com largos contingentes da população, atraiu a adesão de numerosos cidadãos e cidadãs (especialmente jovens). Foi, digamos, um movimento de expansão. Agora – numa espécie de intervalo entre batalhas, de preparação para as próximas – toca-nos capitalizar (política, ideológica e organicamente) essa expansão. Eis a dialética do processo: expandir e consolidar, para em seguida expandir mais e consolidar mais e assim por diante, numa trajetória de acumulações que visam, mais para a frente, a obtenção de saltos qualitativos.

A experiência – e as formulações teóricas dela decorrentes – mostram que a expansão, por si só, em nada resulta se não for sucedida pela capitalização e consolidação de resultados, e que esta capitalização e consolidação de resultados só pode ocorrer caso haja expansão. Então, os dois aspectos caminham pari passu, um não existindo sem o outro. Eis o fundamento, digamos, filosófico da campanha Mais PCdoB. É preciso compreender o núcleo desse raciocínio para obtermos sucesso em nossa empreitada.

Um projeto.

Aspecto essencial – cientificamente estabelecido – para o sucesso desta ou de qualquer outra campanha ou iniciativa (do Partido ou de outra instituição) é a necessidade de um projeto. Um projeto que fundamente adequadamente a campanha, estabeleça seu objetivo geral e seus objetivos específicos, os meios (políticos, organizativos e materiais) a serem utilizados para que se atinjam tais objetivos, os prazos, os responsáveis e – fundamental – os mecanismos de controle permanente do desenvolvimento do projeto. Em outras palavras: nada de espontaneísmo, de voluntarismo e outros ismos não menos prejudiciais.

A campanha Mais PCdoB é sistêmica, ou seja, perpassa toda a estrutura partidária, das direções às bases, e todas as atividades realizadas pelo Partido no período. Então, contando com um projeto bem articulado, objetivo, realista, a ser formulado pela direção estadual, as direções municipais devem tratar da seguinte questão: como realizar a campanha em sua área de abrangência. Isso também exige um plano detalhado nos moldes do projeto geral e de acordo com ele. É preciso estimular a consciência, o entusiasmo, a energia, a criatividade de quadros e militantes para alastrar a campanha e fortalecê-la, superar as metas, impedir sua burocratização e, por decorrência, seu fracasso.

Todos os setores das atividades partidárias devem se colocar a serviço da campanha Mais PCdoB. Ela depende da ação conjunta e sinérgica da política, organização, formação, propaganda, finanças e frentes de massa. Os dirigentes desses setores devem ser atuantes na condução da campanha. Tudo deve convergir para os objetivos da campanha. Devemos nos lembrar que 2009 será o ano do congresso nacional do Partido. Ou seja: será um ano de extensos debates, conferências, encontros, reuniões, seminários para tratar da pauta do congresso e das questões essenciais do Partido. Uma circunstância, portanto, favorável para a campanha a que nos propomos no Paraná.

Essa campanha, por outro lado, deve ser participativa, ou seja, abarcar, desde seu planejamento à sua execução e avaliação, todo o conjunto partidário. Não deve ser como que um decreto baixado pelo Comitê Estadual com o carimbo de “cumpra-se”. Não. Deve envolver o tecido partidário no seu conjunto, a partir de uma compreensão coletiva sobre sua relevância. Somente assim será vigorosa, rica, pulsante, produtiva.

Estes são alguns dos aspectos que penso mais significativos da campanha Mais PCdoB. Gostaria que nosso coletivo se pronunciasse a respeito, enviasse suas opiniões, suas contribuições.

Diante disso tudo, a única coisa que poderemos dizer, como um arremate e uma convocação é: mãos à obra, camaradas!

Um abraço a todos. E até segunda.

Luiz Manfredini, jornalista, escritor, autor dos romances As Moças de Minas e Memória de Neblina (com lançamento previsto para o início de 2009). É colunista do portal Vermelho, membro do Comitê Estadual do PCdoB do Paraná, do Conselho Editorial da revista Princípios, do Conselho Nacional do Instituto Maurício Grabois (IMG) e do Conselho Editorial da Editora Anita Garibaldi.

luiz-manfredini@uol.com.br

20/10/2008 at 09:11 2 comentários

Navegar é Preciso

Mais luta, mais PCdoB!

Luiz Manfredini

Olá, camaradas!

Gostaria, em primeiro lugar, de cumprimentar publicamente nossos camaradas que disputaram as eleições do último dia 5 – entre eleitos e não eleitos – e a brava militância comunista que batalhou com garra, erguendo, entusiasmada, embora sob enormes dificuldades materiais, a honrada bandeira vermelha do nosso Partido e da nossa causa socialista. Também estendo meus cumprimentos aos nossos amigos e simpatizantes e a todos quantos reuniram seu talento e seu empenho no esforço coletivo de levar comunistas às prefeituras e câmaras municipais do Paraná.

As eleições estão sendo avaliadas em toda a estrutura do Partido. Houve acertos e erros. Extrairemos lições, certamente, a respeito do que nos disseram as urnas. E elas disseram muito. Mas não vou me antecipar, pois a reflexão em curso, sendo conseqüente, não pode ser aligeirada. Gostaria, no entanto, já neste momento, de deixar uma palavra ao Partido, até porque tenho responsabilidades de dirigente, como membro do Secretariado e da Comissão Política do Comitê Estadual.

Refiro-me ao pós-eleição e ao próximo ano. Independente de como venhamos a entender a mensagem das urnas e das conseqüências que tiremos dessa leitura,  de algo não poderemos nos furtar: a necessidade imperiosa de, a partir de já, sem perder tempo, sem delongas, sem tergiversações, arregaçarmos as mangas e tratarmos com o máximo de seriedade do fortalecimento do nosso Partido. É do que devemos nos ocupar, prioritariamente, no ano e meio  que nos separam da campanha de 2010, até para que, nessas eleições estratégicas, estejamos mais forte, mais influentes.

Somos comunistas.

Nossa luta, que se dá em todo momento, não é, todavia, uma luta momentânea, tampouco restrita à perpetuação da democracia liberal-burguesa. Não. Como comunistas que somos – e que ninguém subestime em nós essa condição teórico-ideológica, com radicais conseqüências políticas – pretendemos, com as lutas do momento, alcançar um outro tipo de democracia e de sociedade no Brasil: a democracia e a sociedade socialistas. A este objetivo estratégico submetemos tudo o que realizamos no cotidiano. E para caminharmos até ele, até esse objetivo maior, necessitamos, entre outros fatores, de um partido comunista forte, coeso, lúcido, representativo de amplas forças sociais, a elas vinculado com laços firmes e permanentes.

Por isso costumamos dizer que nada em nossa luta tem sentido se não resultar, sobretudo, no fortalecimento do Partido, e se este, assim robustecido, não atuar ainda mais fortemente – melhor dizendo, revolucionariamente – sobre a nossa realidade no sentido de transformá-la.

Mas o que é, exatamente, fortalecer o Partido? Não é tratar, isoladamente, desta ou daquela questão da vida partidária, mas do seu conjunto, em sua sinergia, em sua inter-dependência. É preciso, a um só tempo, articuladamente, com a participação de todos – e, repito, sem delongas, sem discurseira – tratar da recomposição orgânica (o Partido não raro se desorganiza um pouco nos períodos eleitorais); da articulação de um sistema de propaganda que permita um diálogo amplo e permanente com a sociedade; de um processo extensivo, profundo e sistemático de formação teórico-ideológica de quadros e militantes; da integração com o movimento social e suas lutas; da participação ativa nos processos eleitorais; da presença firme, clara e ininterrupta (sem ser dogmática ou sectária) na luta de idéias que envolve o conjunto da sociedade e, é claro, de que de tudo isso resulte a ampliação contínua do contingente partidário. Fiquemos por aqui, pois estes são os aspectos mais importantes da vida do nosso Partido.

Em nosso País, já estão dadas as condições objetivas para uma transformação radical, para a substituição do capitalismo pelo socialismo. O que falta são as condições subjetivas, ou seja, a consciência política do povo trabalhador. E, sem isso, não se avança um palmo e nem nós desejamos avançar sozinhos, deixando o povo para trás, pois desse modo nos tornaremos meros pregadores no deserto. E quem trata de produzir essas condições subjetivas, essa consciência social transformadora? O Partido. Não qualquer partido, mas um partido revolucionário, sustentado no marxismo-leninismo aplicado às condições históricas, sociais, econômicas, políticas, culturais do nosso País, organizado e disciplinado para encarar, à frente de outros setores democráticos e progressistas, essa tarefa gigantesca de mudar o Brasil.

Não é mero discurso, portanto, quando ressaltamos tanto a importância do fortalecimento do Partido. Assim, gostaria de conclamar as direções e bases do PCdoB do Paraná, militantes e quadros valorosos que botaram as mãos na massa na campanha eleitoral, que têm trabalhado com afinco para o avanço político em nosso País, que, generosos, têm sonhado permanentemente com um novo mundo fraterno e solidário, o mundo socialista, a cerrar fileiras numa campanha decidida e decisiva de fortalecimento do nosso Partido no Estado, uma campanha que poderia se chamar “Mais luta, mais PCdoB”.

Um abraço a todos. E até segunda.

Luiz Manfredini, jornalista, escritor, autor dos romances As Moças de Minas e Memória de Neblina (com lançamento previsto para o início de 2009). É colunista do portal Vermelho, membro do Comitê Estadual do PCdoB do Paraná, do Conselho Editorial da revista Princípios, do Conselho Nacional do Instituto Maurício Grabois (IMG) e do Conselho Editorial da Editora Anita Garibaldi.

luiz-manfredini@uol.com.br

13/10/2008 at 12:04 2 comentários

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