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Artigo: A UNE e as armas de 1961

"Jango foi à UNE agradecer apoio para a posse. Aldo Arantes é o primeiro da esquerda para a direita, de óculos".

Por Luiz Manfredini

Conhecida a notícia da inesperada renúncia do Presidente Jânio Quadros, na
manhã de 25 de agosto de 1961, e noticiada a decisão dos ministros militares
de impedir a posse do Vice-Presidente João Goulart, a UNE decretou greve
geral e seu presidente recém-empossado Aldo Arantes seguiu para Porto
Alegre. Foi juntar-se ao Governador Leonel Brizola, que comandava a reação
ao golpe. Na época a entidade com maior capacidade de mobilização no País,
a UNE lançou nas ruas da capital gaúcha e das principais cidades brasileiras,
durante os dias dramáticos da resistência, vagalhões de estudantes. Somados
a outros contingentes populares, eles foram decisivos na derrota do golpismo
militar.

Aldo desembarcou em Porto Alegre acompanhado por seu assessor Herbert
José de Souza, o Betinho. A cidade que ambos encontraram era uma praça
de guerra. Cinquenta anos depois o cenário ainda é vivo na memória de
Aldo. “Era uma paisagem e um clima de guerra civil, eu nunca tinha visto
aquilo no Brasil”, lembra. Canhões antiaéreos pelas ruas, onde massas de povo
marchavam para defender a cidade. O Palácio Piratini, onde Aldo e Betinho
apresentaram ao Governador Leonel Brizola o apoio da UNE, estava cercado
por sacos de areia, automóveis, jipes, bancos da Praça da Matriz, trincheira
defendida por civis armados e milicianos da Brigada Militar. No topo, ninhos
de metralhadoras. Para além das barricadas, o povo. Milhares de estudantes e
trabalhadores aglomeravam-se em torno do palácio.

O que Aldo e Betinho não viram – mas saberiam mais tarde – é que a
atmosfera de luta estendia-se por todo o Rio Grande do Sul. Os centros
de tradições gaúchas, espalhados pelo Estado, arregimentavam o povo e o
armavam com revólveres, espingardas e mesmo lanças e facões. Muitos desses
gaúchos, com suas botas, bombachas e lenços no pescoço afluíam para Porto
Alegre, preparados para a luta. Comitês de mobilização formaram-se entre
estudantes e trabalhadores, intelectuais e artistas. Irreconciliáveis nos campos
de futebol, Grêmio e Internacional se uniram em favor da luta.
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24/08/2011 at 09:26 Deixe um comentário

Julio Manfredini na memória do PCdoB

*Luiz Manfredini

Em meados de julho, em São Paulo, comecei a transferir para o Centro de Documentação e Memória (CDM) da Fundação Maurício Grabois livros remanescentes da biblioteca de Julio Manfredini, meu avô. Nessa primeira partida, foram 26 livros, sobretudo romances de coleções editadas nos anos 40 e 50 pelas editoras Brasiliense e Vitória. Nas próximas, serão publicações marxistas e livros a respeito da construção do socialismo na União Soviética e das lutas revolucionárias pelo mundo, incluindo, obviamente, o Brasil (particularmente sobre a campanha O petróleo é nosso).

Certamente meu avô aprovaria minha atitude, satisfeito por ver seus livros ganharem leitores, fomentarem consciência. Era um amante extremado da cultura. Nos 26 anos em que convivemos, só me presenteou com livros. A mim, seu afilhado, e aos demais netos. Era o que verdadeiramente o interessava: o saber como ferramenta da transformação da sociedade e como parâmetro de valoração do ser humano. Por isso foi um autodidata de vasta cultura e também por isso ingressou no Partido Comunista do Brasil, então PCB, no contexto da insurreição de 1935. Foi um caso raro de ingresso no Partido com idade mais avançada: estava com 53 anos e, pelos 41 anos restantes de vida – até sua morte, em maio de 1976 – nunca deixou de ser comunista.

Nas fileiras do partido foi militante aplicado. Dirigente principal durante alguns momentos das décadas de 40 e 50, foi suplente de Deputado Estadual nas eleições de 1945 pela legenda comunista. Mais tarde, já passado dos 70 anos, tornou-se uma espécie de Presidente de Honra e referência ideológica e intelectual sólida para os revolucionários paranaenses. Ainda assim, era comum vê-lo acompanhar seus jovens companheiros da célula Marcílio Dias em pixações noturnas com os velhos bastões de cera.

Como a grande maioria do Partido, Julio Manfredini ficou com a corrente liderada por Luiz Carlos Prestes na grande divisão de 1962. Mas nunca o ouvi detratar os que reorganizaram o Partido. Não me pareceu ser daqueles que os considerava liquidacionistas. Assim como boa arte dos comunistas sinceros da época, a perplexidade diante dos acontecimentos que se arrastavam desde o XX Congresso do PCUS, em 1957, e a idéia entranhada da unidade partidária, o levaram a seguir a linha hegemônica onde pontificava a figura emblemática de Prestes.

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25/07/2011 at 10:32 Deixe um comentário

Artigo Walter Sorrentino: Paraná, presente!

A conferência extraordinária do PCdoB do Paraná foi um grande feito do coletivo comunista no Estado - Walter Sorrentino

Preciso fazer um registro público, pela importância que tem para nós do PCdoB.

A conferência extraordinária do PCdoB do Paraná foi um grande feito do coletivo comunista no Estado. Ali se produziu um novo começo, uma retomada do projeto do PCdoB, numa realidade multifacetada e complexa.

Questões como as tratadas não são simplesmente partidistas, ou de interesse restrito. Ao contrário, uma das primeira medidas apontadas é o esforço decidido para reestruturar a oposição ao governo do Estado, após a derrota relativa do campo popular em outubro de 2010. E mais: a compreensão nova de que o Paraná precisa ser levado ao nível de priorização de esforços em nível nacional, dada a importância do Estado, sua economia, política, sociedade e cultura. O novo projeto nacional de desenvolvimento precisa do Paraná e vice-versa: as forças populares precisam se reposicionar sobre isso.

O PCdoB o fez na conferência: pôr o partido ao nível dessa prioridade. Avançamos muito, em curto espaço de quatro meses; mobilizamos mil militantes, em 40 cidades, em torno de um documento corajoso. Foi o êxito de um sentimento de partido que se reaviva. É motivo para nos congratularmos com o coletivo partidário paranaense

Na história do PCdoB-PR esta conferência vai ficar como democrática, sem autofagia e sem internalismo apartado do real. Há forças para a retomada e há forças novas que aportam ao PCdoB.

O debate não foi apenas “político”, mas certamente dominado pela exigência de reconstruir o projeto político. Foi mesmo um debate de partido, que exigia outro nível de compromisso.  Porque lá se enfrentou a crise de direção instalada após as eleições passadas. Mas a direção teve forças para construir este processo positivo, reagir, retomar, relançar o partido. A batalha ainda não acabou.

Uma preocupação central sempre foi a de sinalizar os setores que não se aproximaram do esforço de conferência, para ganhá-los para  nova perspectiva. E mais ainda: sinalizar que com a conferência o Partido vence uma etapa para ficar melhor, apresentar-se como alternativa política e definir mais a fundo o caráter e o papel do PC. Com isso se dá vazão a novas forças que estão se aproximando do partido: a decisão é renovar corajosamente o partido, abrir ainda mais suas portas, inserir-se realmente nos temas da sociedade que preocupam o povo, dialogar vivamente com a sociedade.

Nada disso se alcançaria fora do comprometimento dos quadros comunistas que comandaram a legenda até aqui. Destaco em especial o papel de Miltom Alves, exímio político e espírito revolucionário, pela sua dedicação integral que possibilitou este passo, entre tantas outras que ele deu ao longo dos anos de presidência. Agora, assumirá outros papeis, e outros serão levados à responsabilidade de presidente. Uma nova liderança de direção será resultante desse rico, complexo e necessário passo.

Congratulações aos comunistas do Paraná! Estejam à altura de retornar a toda a militância, principalmente aos que não participaram da conferência, para dar-lhes a boa nova e uma nova perspectiva de avanço.

Blog do Walter Sorrentino

02/05/2011 at 09:44 Deixe um comentário

Sintonia comunista

Luiz Manfredini*

Na tarde do último sábado, 21, cerca de 40 militantes comunistas reuniram-se em Curitiba, no primeiro de uma série de debates preparatórios da conferência extraordinária do PCdoB/PR, marcada para 30 de abril. Além da presença maciça – algo que não se via há muito tempo – e do entusiasmo e da alegria do encontro de velhos e novos camaradas, a reunião destacou-se por um consenso expresso nas manifestações de cada um dos participantes: a imperiosa necessidade do PCdoB/PR reforçar sua identidade comunista.

Naquela mesma tarde de sábado, 21, em São Paulo, o Comitê Central do Partido proclamava, em sua resolução política, ser “imperativo reforçar o sentido estratégico da luta do PCdoB, dado pelo Programa, a identidade socialista do Partido e seu caráter transformador, isto é, um partido concebido como instrumento das mudanças e da revolução”.

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22/03/2011 at 16:34 Deixe um comentário

Soberania do Brasil é violada durante visita de Obama

Por Luiz Manfredini*

Em sua edição desta terça-feira (22) a Folha de S.Paulo traz matéria a respeito da revista a que ministros brasileiros foram submetidos por agentes secretos norte-americanos no evento com o presidente Barack Obama, organizado pela Confederação Nacional da Indústria.

Revista de americanos foi agressiva, diz Mercadante, é o título da nota.

Relata a Folha:

“A revista consistiu em uso de bastão e portal detector de metais. Os ministros ainda teriam sido proibidos de usar os carros oficiais. Eles foram escoltados por agentes americanos em um ônibus até o local e revistados na entrada”.

Ministros reclamaram, entre eles Guido Mantega (Fazenda), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), Alexandre Tombini (Banco Central) e Edison Lobão (Minas e Energia).

Prossegue a Folha:

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22/03/2011 at 15:01 Deixe um comentário

Unila: um projeto revolucionário

Nilton Bobato *

Nestes dias de bajulação a Barack Obama e o que ele representa, nestes tempos de retomada da amizade cordial com os EUA, é de fundamental importância lembrar nossas conquistas recentes no caminho da construção da integração latino-americana, é tempo de relembrar que nosso melhor projeto é fortalecer cada vez mais nossas relações vizinhas e não esquecer que ainda temos muito que construir neste caminho. Por isso nada mais simbólico do que divulgar nosso principal marco implantado na direção desta integração: a Unila.

A Unila – Universidade Federal da Integração Latino-Americana é antes de tudo um projeto revolucionário. Exemplo maior da busca da realização dos sonhos da integração latino-americana levada a cabo pelos governos Lula e que deve receber a mesma atenção da Presidenta Dilma, a Unila está em pleno funcionamento em Foz do Iguaçu, já é o principal centro aglutinador do pensamento progressista latino-americano e terá neste ano 900 alunos de graduação de todo o continente, além da primeira especialização.

Com as atividades dos cursos de graduação iniciadas em 2010, com aula inaugural do seu idealizador, o então presidente Lula, a UNILA tem o ambicioso projeto de reunir nesta fronteira 10 mil estudantes de graduação no ápice de sua implantação: todos os cursos funcionando em seus anos finais, além de mais dois mil de graduação.

O projeto que tem como foco principal a integração, terá todos os cursos bilíngues, com 50% de alunos brasileiros e 50% oriundos dos países da América Latina, principalmente do Mercosul. Metade dos professores é brasileira e outra metade oriunda dos diversos países que compõem nosso continente (do México para baixo). Eram seis cursos de graduação em 2010 e neste 2011 já são 12 cursos.
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22/03/2011 at 14:49 Deixe um comentário

Artigo: Osmar incorpora discurso da esquerda

Por Nereu Faustino Ceni

Em expressivo ato político em Pato Branco na rápida passagem, entre Francisco Beltrão e Guarapuava e num horário de difícil mobilização popular, ao meio dia deste sábado, sem a oferta de almoço, comemoro o encontro com um Osmar Dias diferente.

Entre os cumprimentos de prefeitos, vereadores e lideranças que, ora estão coligados em apoio à candidatos comuns, ora são inimigos ferrenhos nos seus municípios, passei a tomar atenção aos discursos que se sucederam dos candidatos Requião, Gleisi, passando pelo governador Pessuti e concluido por Osmar Dias, todos, indistintamente, elogiaram com dados, números e programas as conquistas sociais e econômicas do Governo Lula e a prospecção da ampliação de seus efeitos, no futuro governo de Dilma.

Talvez, por estar acostumado às bandeiras da esquerda, que ajudamos a elaborar e construir, os discursos de Requião, Gleisi e Pessutti nos soam como conversa de amigos, boas de ouvir e de fácil assimilação, com linguagem popular e comparativos
fortes e convincentes, quando comparados com a época de desmontes dos governos neo liberais de FHC e Lerner, que por aqui passaram.

Faltava o pronunciamento de Osmar, fiquei atento e ao mesmo tempo surpreso, pois ouvi um discurso contundente e progressista, que passou pela educação com a proposta de adotar o ensino em tempo integral nas escolas públicas, pelo compromisso em fortalecer as empresas estratégicas como a COPEL e a SANEPAR ou com os fortes investimentos na saúde pública, na infraestrutura, na logística, na preservação do meio ambiente e na agricultura familiar, enfim um discurso atual de fortalecimento do papel do estado como indutor do desenvolvimento sustentável e no combate das desigualdades sociais.

Penso que os benefícios sociais, construídos nos governos populares de LULA e o enterro dos pseudos traumas de um governo de esquerda, tão apregoados no passado estão naturalmente assimilados nas posições do candidato Osmar Dias. A comparação com a campanha passada, quando perdeu por muito pouco, às eleições governamentais é nítida. A eclética composição partidária e principalmente o campo político em que se situa atualmente fez um Osmar diferente, que transita confortavelmente no meio de defensores históricos de bandeiras sociais avançadas, antes dissimuladas ou claramente
combatidas.

Osmar Dias definitivamente incorporou o discurso de esquerda, se torna o condutor de amplas e diversas camadas sociais e se insere no conseqüente projeto esenvolvimentista brasileiro.

Com essa postura, que serão amplificadas no horário eleitoral gratuito que inicia na próxima semana, as próximas pesquisas indicarão o crescimento de sua campanha, tal qual o fazem com Dilma, Requião e Gleisi que historicamente defendem as bandeiras da esquerda, de forma combativa e conseqüente.

*Nereu Faustino Ceni É Arquiteto, Urbanista e dirigente estadual do PCdoB

16/08/2010 at 12:59 Deixe um comentário

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