Mais luta, mais PCdoB!
Luiz Manfredini
Olá, camaradas!
Gostaria, em primeiro lugar, de cumprimentar publicamente nossos camaradas que disputaram as eleições do último dia 5 – entre eleitos e não eleitos – e a brava militância comunista que batalhou com garra, erguendo, entusiasmada, embora sob enormes dificuldades materiais, a honrada bandeira vermelha do nosso Partido e da nossa causa socialista. Também estendo meus cumprimentos aos nossos amigos e simpatizantes e a todos quantos reuniram seu talento e seu empenho no esforço coletivo de levar comunistas às prefeituras e câmaras municipais do Paraná.
As eleições estão sendo avaliadas em toda a estrutura do Partido. Houve acertos e erros. Extrairemos lições, certamente, a respeito do que nos disseram as urnas. E elas disseram muito. Mas não vou me antecipar, pois a reflexão em curso, sendo conseqüente, não pode ser aligeirada. Gostaria, no entanto, já neste momento, de deixar uma palavra ao Partido, até porque tenho responsabilidades de dirigente, como membro do Secretariado e da Comissão Política do Comitê Estadual.
Refiro-me ao pós-eleição e ao próximo ano. Independente de como venhamos a entender a mensagem das urnas e das conseqüências que tiremos dessa leitura, de algo não poderemos nos furtar: a necessidade imperiosa de, a partir de já, sem perder tempo, sem delongas, sem tergiversações, arregaçarmos as mangas e tratarmos com o máximo de seriedade do fortalecimento do nosso Partido. É do que devemos nos ocupar, prioritariamente, no ano e meio que nos separam da campanha de 2010, até para que, nessas eleições estratégicas, estejamos mais forte, mais influentes.
Somos comunistas.
Nossa luta, que se dá em todo momento, não é, todavia, uma luta momentânea, tampouco restrita à perpetuação da democracia liberal-burguesa. Não. Como comunistas que somos – e que ninguém subestime em nós essa condição teórico-ideológica, com radicais conseqüências políticas – pretendemos, com as lutas do momento, alcançar um outro tipo de democracia e de sociedade no Brasil: a democracia e a sociedade socialistas. A este objetivo estratégico submetemos tudo o que realizamos no cotidiano. E para caminharmos até ele, até esse objetivo maior, necessitamos, entre outros fatores, de um partido comunista forte, coeso, lúcido, representativo de amplas forças sociais, a elas vinculado com laços firmes e permanentes.
Por isso costumamos dizer que nada em nossa luta tem sentido se não resultar, sobretudo, no fortalecimento do Partido, e se este, assim robustecido, não atuar ainda mais fortemente – melhor dizendo, revolucionariamente – sobre a nossa realidade no sentido de transformá-la.
Mas o que é, exatamente, fortalecer o Partido? Não é tratar, isoladamente, desta ou daquela questão da vida partidária, mas do seu conjunto, em sua sinergia, em sua inter-dependência. É preciso, a um só tempo, articuladamente, com a participação de todos – e, repito, sem delongas, sem discurseira – tratar da recomposição orgânica (o Partido não raro se desorganiza um pouco nos períodos eleitorais); da articulação de um sistema de propaganda que permita um diálogo amplo e permanente com a sociedade; de um processo extensivo, profundo e sistemático de formação teórico-ideológica de quadros e militantes; da integração com o movimento social e suas lutas; da participação ativa nos processos eleitorais; da presença firme, clara e ininterrupta (sem ser dogmática ou sectária) na luta de idéias que envolve o conjunto da sociedade e, é claro, de que de tudo isso resulte a ampliação contínua do contingente partidário. Fiquemos por aqui, pois estes são os aspectos mais importantes da vida do nosso Partido.
Em nosso País, já estão dadas as condições objetivas para uma transformação radical, para a substituição do capitalismo pelo socialismo. O que falta são as condições subjetivas, ou seja, a consciência política do povo trabalhador. E, sem isso, não se avança um palmo e nem nós desejamos avançar sozinhos, deixando o povo para trás, pois desse modo nos tornaremos meros pregadores no deserto. E quem trata de produzir essas condições subjetivas, essa consciência social transformadora? O Partido. Não qualquer partido, mas um partido revolucionário, sustentado no marxismo-leninismo aplicado às condições históricas, sociais, econômicas, políticas, culturais do nosso País, organizado e disciplinado para encarar, à frente de outros setores democráticos e progressistas, essa tarefa gigantesca de mudar o Brasil.
Não é mero discurso, portanto, quando ressaltamos tanto a importância do fortalecimento do Partido. Assim, gostaria de conclamar as direções e bases do PCdoB do Paraná, militantes e quadros valorosos que botaram as mãos na massa na campanha eleitoral, que têm trabalhado com afinco para o avanço político em nosso País, que, generosos, têm sonhado permanentemente com um novo mundo fraterno e solidário, o mundo socialista, a cerrar fileiras numa campanha decidida e decisiva de fortalecimento do nosso Partido no Estado, uma campanha que poderia se chamar “Mais luta, mais PCdoB”.
Um abraço a todos. E até segunda.
Luiz Manfredini, jornalista, escritor, autor dos romances As Moças de Minas e Memória de Neblina (com lançamento previsto para o início de 2009). É colunista do portal Vermelho, membro do Comitê Estadual do PCdoB do Paraná, do Conselho Editorial da revista Princípios, do Conselho Nacional do Instituto Maurício Grabois (IMG) e do Conselho Editorial da Editora Anita Garibaldi.
luiz-manfredini@uol.com.br
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Passada a refrega em que se disputaram tribunas parlamentares e postos de executivo com os quais implementar políticas públicas para a MAIORIA da população, o chamado do camarada Manfredini vem oportunamente lembrar que nossa luta nunca pára. Extintos os primeiros efeitos da ‘ressaca’ eleitoral, seja para os camaradas vitoriosos como para os não bem-sucedidos, recordemos que existem sempre outros fronts aos quais não podemos deixar de dar atenção, como o das lutas do movimento social e o da luta de idéias. E, nestes dois, não podemos ficar como ilustra o título de uma famosa canção do Pink Floyd que ora ouço – “Comfortably Numb”, confortavelmente entorpecidos…
Da tomada de consciência de que a luta prossegue, de que a crise mundial do neoliberalismo financista é brutal, que até os capitalistas estão comprando E LENDO os velhos livros do mestre Marx (porque ele previu essas coisas há 150 anos), deriva que os comunistas são chamados a apresentar seus pontos de vista, a explicar as contradiçoes do sistema e apontar o horizonte da alternativa socialista. Não se faz isto só com boa vontade, é preciso estudar e entender.
Saudamos como extremamente vitaminante em termos políticos e ideológicos a propugnada Campanha “Mais Lutas, Mais Partido Comunista”. O PCdoB foi inventado para achar soluções e para lutar; se não o fizer, acumulará pó, teias de aranha e confortáveis entorpecimentos.
Não tenho a certeza de que o mereça pela forma como disse o que pretendia, mas para lhe dar um pouco mais de tempo enquanto espero que alguém me informe onde está a esquerda…
Vai para três ou quatro anos, numa entrevista a um jornal sul-americano, creio que argentino, saiu-me na sucessão das perguntas e respostas uma declaração que depois imaginei iria causar agitação, debate, escândalo (a este ponto chegava a minha ingenuidade), começando pelas hostes locais da esquerda e logo, quem sabe, como uma onda que em círculos se expandisse, nos meios internacionais, fossem eles políticos, sindicais ou culturais que da dita esquerda são tributários. Em toda a sua crueza, não recuando perante a própria obscenidade, a frase, pontualmente reproduzida pelo jornal, foi a seguinte: “A esquerda não tem nem uma puta ideia do mundo em que vive”.
À minha intenção, deliberadamente provocadora, a esquerda, assim interpelada, respondeu com o mais gélido dos silêncios. Nenhum partido comunista, por exemplo, a principiar por aquele de que sou membro, saiu à estacada para rebater ou simplesmente argumentar sobre a propriedade ou a falta de propriedade das palavras que proferi. Por maioria de razão, também nenhum dos partidos socialistas que se encontram no governo dos seus respectivos países, penso, sobretudo, nos de Portugal e Espanha, considerou necessário exigir uma aclaração ao atrevido escritor que tinha ousado lançar uma pedra ao putrefacto charco da indiferença.
Nada de nada, silêncio total, como se nos túmulos ideológicos onde se refugiaram nada mais houvesse que pó e aranhas, quando muito um osso arcaico que já nem para relíquia servia. Durante alguns dias senti-me excluído da sociedade humana como se fosse um pestífero, vítima de uma espécie de cirrose mental que já não dissesse coisa com coisa. Cheguei até a pensar que a frase compassiva que andaria circulando entre os que assim calavam seria mais ou menos esta: “Coitado, que se poderia esperar com aquela idade?” Estava claro que não me achavam opinante à altura.
O tempo foi passando, passando, a situação do mundo complicando-se cada vez mais, e a esquerda, impávida, continuava a desempenhar os papéis que, no poder ou na oposição, lhes haviam sido distribuídos. Eu, que entretanto tinha feito outra descoberta, a de que Marx nunca havia tido tanta razão como hoje, imaginei, quando há um ano rebentou a burla cancerosa das hipotecas nos Estados Unidos, que a esquerda, onde quer que estivesse, se ainda era viva, iria abrir enfim a boca para dizer o que pensava do caso.
Já tenho a explicação: a esquerda não pensa, não age, não arrisca um passo. Passou-se o que se passou depois, até hoje, e a esquerda, cobardemente, continua a não pensar, a não agir, a não arriscar um passo. Por isso não se estranhe a insolente pergunta do título: “Onde está a esquerda?” Não dou alvíssaras, já paguei demasiado caras as minhas ilusões.