Análise apressada
Várias forças políticas estão errando feio na análise da conjuntura do Paraná. Pode ser em virtude de descuido ou por miopia política mesmo, própria dos momentos apaixonantes que são as disputas eleitorais. Elas vêm cantarolando aos quatro cantos que a “Era Requião” terminará no final deste ano, que depois desse governo não restará quem possa defendê-lo; que novos atores surgirão das cinzas para comandar o espólio requianista, blá, blá, blá… Muita besteira reunida junta. Elas (as forças políticas) subestimam a história, o poder de fogo da superestrutura do governo e do próprio Requião. O PMDB e seus aliados, no que pese as dificuldades atuais aqui e acolá, ainda constituem o maior pólo no Estado. Podem ainda ampliar sua força nestas eleições.
Tirando Curitiba, onde o jogo ainda está sendo jogado e as forças eleitorais se dividem, a base de sustentação aos governos Lula e Requião disputa com chances reais de vitória em Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu, Cascavel, Paranavaí, Umuarama, Campo Mourão, Toledo, Colombo, Araucária, Cornélio Procópio, só para citar os principais colégios eleitorais.
A cada dia que passa a política paranaense vai ficando muito mais complexa. Novos atores surgem. A velha política vai deixando passagem para a nova. Mas nem todos têm competência e vontade de ocupar os espaços que vão ficando vagos. Basta prestarmos atenção no próprio pleito de Curitiba. No regime democrático, ninguém mais consegue administrar nada sozinho. Depende de outras forças, das coligações e dos acordos. Não há no horizonte político local, portanto, a possibilidade de uma única agremiação sobressair de um processo eleitoral sem levar em conta as coalizões.
No jogo maior pelo poder no Paraná, existem campos políticos bem definidos e outros nem tantos – que servem como margens de manobras para todos os atores. São franjas que propiciam o surgimento de acordos secretos e tácitos, que nos levam a resultados eleitorais já conhecidos antecipadamente. É como se os políticos acordassem à revelia dos 7 milhões de eleitores paranaenses quem vai ganhar e quem vai perder, antes mesmo das próprias eleições.
Ou seja, ainda é muito cedo para contarmos as garrafas. Muita água vai rolar por debaixo dessa ponte.
Vox Populi
Adiado de terça para hoje, a pesquisa do Vox Populi virou motivo de chacota entre o meio político. Um dirigente partidário tascou: “tiveram de fazer um ajuste de emergência para contemplar quem vai pagar a sondagem”.
Ibope
Na terça-feira, dia 9, tem novo Ibope na capital.
Confirmado
Desde ontem, Joel Benin (foto) é o novo chefe de gabinete da Paraná Esporte. Ele foi nomeado pelo governador Roberto Requião.
Mudança
O presidente estadual do PCdoB, Milton Alves, informa que o programa eleitoral do partido na TV, em Curitiba, sofrerá “mudanças drásticas” após o feriadão da Independência. Ele não quis revelar quais.
Arruda
O secretário geral do PMDB, João Arruda, deixou o governo nesta semana. Ele disse que vai dedicar-se ao partido e à eleição de prefeitos peemedebistas e aliados em todo o Paraná. “Terei mais tempo para cuidar do partido”, afirmou.
Guerra
Nas vilas mais distantes de Curitiba a disputa por uma vaga na Câmara Municipal é cruel. Moradores recebem (e cobram) de R$ 50 a R$ 100 para retirar a placa de um candidato adversário.
Guerra 2
Em outros, quando o dinheiro não resolve, cabos eleitorais adversários passam de casa em casa “avisando” que a colocação de placas de vereador pode render pesadas multas do TRE. Os moradores mais humildes acabam caindo na conversa.
Atenção…
A partir do final da semana que vem é quando os eleitores começam de fato a pensar em quem votar. Até agora, as movimentações atenderam às ansiedades dos candidatos, dos marqueteiros e outros que sobrevivem da prestação serviço ao nicho eleitoral.
… Valendo
Por isso, as candidaturas precisam fazer ajustes de “volume” nas respectivas campanhas sob pena de perderem fôlego. Quem saiu em disparada já em agosto, muito provavelmente, não terá “bala na agulha” para chegar até 5 de outubro. No entanto, há raras exceções.
FRASE DA SEMANA
“Os partidos políticos quando ganham as eleições credenciam-se a governar. Ajudei o governador Roberto Requião a ganhar as eleições no Paraná daqueles que dilapidaram o Estado num passado recentíssimo e o fizeram a casa da mãe-joana”, João Arruda, secretário geral do PMDB, ao deixar o governo nesta semana.
Esmael Morais, jornalista, escreve a “Coluna Vermelha”, publicada neste blog todas as quintas-feiras.
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