Jornal Hoje – Cascavel
Fernando “Bacana” Dias Lima é vereador de primeira legislatura e candidato a vice-prefeito pelo PCdoB (Partido Comunista do Brasil), ao lado de Marlise da Cruz (PV), que têm na coligação ainda o PSB. Ele veio para a região em 1994, ao terminar o curso de Medicina com especialização em cirurgia geral. Trabalhou no Hospital Santa Mônica de Capitão Leônidas Marques e um ano mais tarde desembarcou em Cascavel para trabalhar no então Hospital Regional, hoje Hospital Universitário, como cirurgião.
Na cidade, atuou como médico da Amic (Associação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do Oeste do Paraná) e do PSF (Programa Saúde da Família) na região do Bairro Santa Cruz, trabalhou por anos atendendo os presos da Penitenciária Industrial e na Cadeia Pública, atuou como médico socorrista da Rodovia das Cataratas e é médico do Siate (Sistema de Atendimento ao Trauma e Emegência) desde a implantação do programa.
O vereador e médico atua há quase sete anos na UTI de transporte, do Estado, o Paraná Urgência. Foi professor de cirurgia na Unioeste até que se elegeu vereador, em 2004.
Foi eleito pelo PPS coligado com PHS, PRTB e PCdoB. Além da Câmara de Vereadores, Bacana atende no Siate e no Paraná Urgente e atua em diversos bairros no atendimento às comunidades, com palestras preventivas, incluindo o Julieta Bueno. O candidato aposta na capacidade e sensibilidade da mulher e garante que o eleitor não tem medo de partidos comunistas. Acompanhe a íntegra da entrevista ao Jornal Hoje de Cascavel.
Jornal Hoje - Qual é sua participação na política partidária?
Fernando Bacana – Filiei-me no PPS e logo no primeiro ano percebi que eu havia idealizado um propósito que não vinha sendo cumprido, inclusive o programa do partido, isso no Estado, o que causou uma grande debandada de vereadores do PPS no Estado todo, desagregação provocada pelo Diretório Estadual. Deixei o PPS e me filiei no PCdoB pelo histórico do partido, pelas características dos seus filiados, unidade, transparência, motivação e trabalho coletivo para atender principalmente as camadas sociais mais carentes por meio de projetos. Decidi me filiar e vejo até hoje no partido a preocupação de atendimento à comunidade, principalmente aos mais carentes.
Hoje – A política ideológica está esquecida?
Bacana - A política é um estrato da sociedade. Vejo boa parte da sociedade pensando individualmente e políticos que também agem assim. Se a sociedade trabalhasse coletivamente, teríamos muito mais ganhos para todos. Um morador de bairro se preocupa com sua rua, mas não com a rua do vizinho, com o seu quintal por causa dos focos de dengue, mas esquece do quintal do vizinho. E isso tem muitas justificativas: muito trabalho, as pessoas têm que trabalhar em mais de um emprego para ter uma qualidade de vida melhor, e isso faz com que se crie na sociedade um espírito individualista. A partir do momento em que a gente criar consciência política de um trabalho coletivo, vamos contemplar principalmente as pessoas socioeconomicamente menos privilegiadas. Vejo aqui, na Câmara de Vereadores, mesmo, nesse meu mandato. Poucas pessoas vieram apresentar um trabalho em favor da coletividade, a maioria procura por um atendimento individual, o que reflete a grande fragilidade que a sociedade tem.
Hoje - Os partidos comunistas, hoje, no Brasil, ainda assustam a população, os eleitores?
Bacana – Não. As pessoas estão muito mais focadas nos representantes políticos do que propriamente no estatuto do partido, que, muitas vezes, até os próprios partidários desconhecem. As pessoas não têm entendimento do que é comunismo, que é o partido que mais se aproxima de uma ideologia cristã. A palavra comunismo vem do comum, atender as pessoas de maneira justa para não existir esse abismo social que aí está, com muitas pessoas ganhando pouco e poucas pessoas ganhando muito. O comunismo combate a concentração de renda, o capitalismo, que prevê só lucro por meio da exploração do proletariado, ou seja, do funcionário. Para que a pessoa tenha muito lucro tem que explorar o trabalhador. E os funcionários têm que trabalhar por dois ou três para gerar esse lucro. Combatemos isso. O comunismo defende que todos tenham os mesmos direitos à educação, à saúde, não só no papel, mas na prática. Muita gente acha que isso é utopia, fantasia, mas nós acreditamos que é possível.
Hoje – O que o levou a essa candidatura, abrindo mão da possibilidade de mais um mandato na Câmara?
Bacana - Para tomar uma atitude dessas é preciso estar desprovido de vaidade. Não tenho ambição de ter cargos, nome em evidência. Tenho interesse, sim, de uma gestão justa, honesta de verdade, transparente. E no meu partido tem candidatos excelentes que podem representar a sociedade até melhor do que eu, pessoas bastante comprometidas com a sociedade, o que me deixa bem confortável para que assumam a minha cadeira. E se você tem interesse em trabalhar pela coletividade, tem que se doar. Estamos oferecendo, com a Marlise e eu, uma opção a mais para administrar o Município.
Hoje - O que Cascavel precisa e que estará incluído no programa de governo de Marlise da Cruz e Fernando Bacana?
Bacana – Para otimizar os recursos públicos temos de ter transparência, controle social, a população tem que estar envolvida diretamente na gestão, o que chamamos de participação popular. Sem isso, os recursos não são utilizados de maneira correta. Da mesma forma que um trabalhador recebe seu salário e sabe onde e qual a prioridade para aplicar. O gestor tem autonomia, a caneta, mas, sem sensibilidade para atender prioridades, não é possível. E, para o controle da gestão de recursos, é preciso ter todos os setores da administração informatizados.
Hoje - O fato de sua chapa ter uma mulher como candidata a prefeita pode fazer a diferença nessa eleição?
Bacana - A mulher é mais sensível que o homem. Ouvir e atender a população se torna prioridade para ela. É muito mais organizada do que o homem. E no mercado de trabalho de Cascavel, 70% das mulheres estão inseridas. E estão nos processos de organização, no atendimento ao público, isso demonstra que a mulher tem competência de organização e de atendimento melhor que o homem. Só essas duas qualidades já credenciam a Marlise e tenho certeza que será uma excelente prefeita. E, como política, a Marlise já teve quatro mandatos de vereadora e foi a única mulher que presidiu a Câmara. E a mulher tem que estar mais inserida na política. Se isso já fosse uma realidade, talvez o País estivesse bem melhor do que está hoje.
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