Em dois livros, Luiz Manfredini revisita anos 60

Luiz ManfrediniAutor combina jornalismo e ficção para mergulhar numa das mais importantes décadas do século XX.

O jornalista e escritor paranaense Luiz Manfredini (foto) está lançando, em edição revisada e atualizada, o livro As Moças de Minas, cujo subtítulo é Uma história dos anos 60. Ao narrar a dramática história de cinco jovens estudantes presas em Belo Horizonte, em 1969, por suas atividades de resistência ao regime militar – que incluíram sua transformação em operárias e camponesas para despertar as lutas sociais -, e os terríveis sofrimentos pelos quais passaram, Manfredini revisita os primeiros anos da ditadura, especialmente 1968 e suas lutas memoráveis que agora completam 40 anos, além de traçar larga panorâmica sobre a década de 60, uma das mais importantes do século XX. Em Curitiba, o livro será lançado no dia 19 de junho próximo, no espaço cultural do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul ( BRDE).

Se em As moças de Minas Manfredini examina os 60 com a lupa da investigação jornalística, no romance Memória de Neblina, a ser lançado no segundo semestre, o faz com a lente da ficção, descortinando o mundo a um só tempo dramático, suave e até engraçado daquela geração de românticos e rebeldes. Uma comovente história de meninos dos anos 60 que mesclavam sonhos de transformação do mundo com os arroubos lúdicos de sua adolescência ainda carregada de infância.

As Moças de MinasObra inestimável

Emiliano José, jornalista, escritor, ex-deputado estadual pelo PT da Bahia e autor, entre outros, do clássico Lamarca, o capitão da guerrilha, assina a orelha de As moças de Minas. E diz: “O romance-reportagem de Luiz Manfredini, que a gente lê de um só fôlego pela força da história e pelo talento do autor, é uma dessas contribuições inestimáveis à compreensão do que a ditadura era capaz de fazer com seus adversários”.

Segundo Emiliano, “Manfredini escreve com a força do romancista, sem deixar de ser jornalista. Constrói com delicadeza os seus personagens reais, em meio ao terror, ao sangue, à violência desmedida e ao mesmo tempo metódica. Jornalistas como Manfredini não fingem qualquer imparcialidade. Têm lado”. E acrescenta: “Ter lado, no entanto, não o livra da apuração rigorosa, ao contrário. Ele deve procurar a verdade em meio àquele cipoal de fatos aparentemente desconexos. E ele o faz de modo primoroso”.

O livro também entusiasmou a jovem deputada federal gaúcha Manuela d’ Ávila (PCdoB),  a mulher mais votada no Brasil para a Câmara Federal em 2006. Ela nasceu mais de 20 anos depois dos acontecimentos narrados em As moças de Minas. “Muitos da minha geração ainda desconhecem o quanto foi preciso lutar – e sofrer – para que o Brasil conquistasse os espaços democráticos que usufrui hoje”, garante Manuela. Para a jovem parlamentar, em sua obra “Luiz Manfredini abre as portas de uma memória dolorosa, mas necessária, para que esse período dramático da nossa história jamais seja esquecido pelos que o vivenciaram e não deixe de ser conhecido pelos mais jovens”.

2 Respostas

  1. Faço convite para que TODA a militância do PCdoB do Paraná LEIA o livro, que o divulgue, que estimule aliados e amigos para lerem. Nao se trata de um ‘romance’ qualquer, não se trata de propaganda vulgar de socialismo, trata-se de uma história de luta plena de instigação ao cultivo de valores humanistas e solidários, como os que inspiraram aquelas valorosas companheiras de Minas.

    Ou vamos deixar o campo livre na esquerda para a proliferação de “exemplos” de “combatividade moralista”, tais como o da freira cacique do PSol? Se gostasse de freira, comprava um convento só pra mim !

  2. Outra coisa: se porventura o camarada Manfra lucrar alguma coisa com a venda do livro (a vida de escritor no Brasil é dura, lembrem-se), ele provavelmente pagará uma chopada a toda a militãncia…

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