Coluna Vermelha

Uma história desconhecida por muitos
Luiz Manfredini, entre Walmor Marcelino (E) e Edésio Passos (D), concede coletiva à imprensa um dia após ser libertado.Há exatos 30 anos – em 26 de março de 1978 – o jornalista Luiz Manfredini, então repórter político do Jornal do Brasil, deixava a cela da Polícia Federal, na rua Ubaldino do Amaral, junto com o também jornalista Walmor Marcelino e o advogado Edésio Passos. Eram os três últimos a serem libertados (foto) entre os 11 intelectuais que haviam sido presos uma semana antes, numa das derradeiras iniciativas do regime militar para garantir o poder.

Manfredini já havia sido preso em outubro de 1969, numa panfletagem da UBES, no Rio de Janeiro, junto com Bernardo Jofily, atual editor do portal Vermelho; em julho de 1969, seqüestrado em São Paulo pela recém criada Operação Bandeirante; e em 1971, preso pela Polícia Federal em Curitiba. Tudo por sua atividade de luta contra a ditadura e vinculação com partido revolucionário.

Luiz Manfredini entrevista o tenente-coronel Tarc�sio Nunes Ferreira, na casa do militar, em Ponta-Grossa.No início de março de 1978, Manfredini entrevistou em Ponta-Grossa o tenente-coronel Tarcísio Nunes Ferreira (foto), comandante do poderoso 13º Batalhão de Infantaria Blindada, o primeiro militar na ativa a criticar abertamente o governo militar, propugnando pela redemocratização do País. Na semana seguinte ambos estavam presos, o militar e o jornalista, o primeiro no quartel do Boqueirão, o segundo, na Polícia Federal.

Na mesma ocasião, a ditadura também prendeu 10 intelectuais, acusados de ensinar marxismo a crianças de até seis anos de idade, em duas pré-escolas de Curitiba. Tais prisões foram ridicularizadas no país inteiro. Também um dia antes, os militares haviam prendido uma jornalista ligada à Igreja. Objetivo dos falcões do regime: mostrar que o perigo comunista continuava vigente. Malograram. Em dezembro do mesmo ano, caía o AI-5. Em 1979, a lei da anistia era promulgada. E em janeiro de 1985 a ditadura era derrotada fragorosamente no Colégio Eleitoral que inventara para perpetuar-se.

Denúncia
Trabalhadores das indústrias têxtil, do vestuário, do couro e dos calçados – dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – prometem denunciar “aberrações trabalhistas” durante Fórum Sindical Sul, que será realizado de 2 a 4 de abril em Matinhos.

Trabalho infantil
A Federação dos Trabalhadores na Indústria (Fetiep), coordenadora do evento, afirma que muitas prefeituras paranaenses são coniventes com o trabalho infantil e que apresentará uma denúncia formal da questão no começo do mês de abril. “Muitas prefeituras facilitam indiretamente o trabalho infantil em serviços domésticos em virtude de programas mal feitos”, adiantou Luiz Gin, presidente da Fetiep.

El Ministro
Com o espanhol tinindo, Airton Pisseti, marqueteiro e secretário de Comunicação ganhou o apelido de “El Ministro”. Tudo por causa da ajuda ao presidenciável paraguaio Fernando Lugo, da Frente pela Mudança.

Ação e…
Durante o almoço do PMDB na segunda-feira passada, que homenageou amigos e militantes, o pré-candidato a prefeito Carlos Moreira Jr disse que estava habilitado a administrar Curitiba porque não era político profissional e nem filho de governador.

… reação
O troco veio rapidinho pelo próprio governador que teria soprado no ouvido do reitor: “política é para profissional, Moreira”.

Promessa
Dirigindo-se aos militantes peemedebistas, Requião prometeu ganhar a prefeitura de Curitiba. Disse ele que o grupo que administra a cidade não tem mais criatividade e o povo está cansado dessa turma.

Benin motoristaTudo ao mesmo tempo
Dia desses enquanto dirigia um poçante automóvel preto, Joel Benin (foto) dava aquelas tradicionais olhadinhas para trás. Um atento observador ficou a imaginar: e se o celular tocar?

VERMELHINHAS
O candidato do Pereirinha

Bas�lioEm 1999, a União Paranaense dos Estudantes (UPE) fizera um congresso em Londrina. Além de eleger o sucessor do Joel Benin, tinha o objetivo de posicionar o movimento estudantil “contra o neoliberalismo”. A entidade, temendo um golpe jurídico da direita, levou o advogado Luiz Fernando Pereira, o Pereirinha, ex-diretor da UNE, para acompanhar o evento.
Pois bem, aí surge o Antônio Basílio (foto), então membro do DCE da PUC de Curitiba. Delegado ao congresso, estava muito curioso e foi saber junto ao Pereirinha quem iria ser o novo presidente da UPE:
- Vai ser você, Basílio! -, informou o causídico.
Dando um pulo para trás, incrédulo, Basílio reagiu:
- Quem? Eu? Por que eu?
- Ora, Basílio, você é o mais preparado. Agora, a tua eleição só depende de você mesmo. Você terá a missão de vigiar o (Ricardo) Gomyde. Ele está vacilando muito e pode entregar a UPE ao PT. Aonde for o Gomyde você tem que ir junto, senão outro vai ser o presidente!, orientou Pereirinha, depois de combinar a “vigilância” com os militantes do PCdoB.
Gomyde, que tinha a tarefa de conversar com outras forças políticas no congresso, passou a ter uma sombra. Ia dialogar com o PSTU, lá estava o Basílio; ia conversar com o PMDB, também estava lá o guerreiro Basílio; foi ao banheiro, o Basílio estava lá firme e forte vigiando-o.
- Que acontece que esse Basílio está me seguindo? Foi até ao banheiro atrás de mim! -, reclamou indignado o ex-deputado federal.
Depois de três horas de vigilância extrema, Gomyde saiu correndo e pulou um muro de 2,5m para alcançar a rua. Basílio não teve fôlego para acompanhar o “fujão” e por isso não se elegeu naquele congresso, como havia prometido o Pereirinha.
EsmaelEsmael Morais, jornalista, escreve a “Coluna Vermelha”, publicada neste blog todas as quintas-feiras.

coluna.vermelha@gmail.com

Uma resposta

  1. Bom dia Esmael !
    Gostei das fotos da velho Manfra, o cara era articulado até com “os home”.
    abraços
    Ceni

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