Um grão de areia no deserto?
*Luiz Manfredini
Olá, camaradas!
Mesmo para os que não professam religião, o final de ano suscita sempre reflexões sobre a vida. Acaba um ano, entra outro, a existência rola no tempo, ficamos mais velhos e mais sábios e disso tudo resulta inevitável introspecção. A despeito do desvairado mercantilismo que toma conta dessa época, é ainda possível ruminar sobre as experiências vividas, as metas alcançadas, as por alcançar, o passado e o futuro num balanço silencioso e profundo.
Lembro-me de um velho amigo que, aos 14, 15 anos defrontou-se com Will Durant e, com ele, refletiu: o que sou no mundo, apenas um grão de areia no deserto? Cogitação precoce de quem, ao fazê-la, estava mesmo destinado a não ser apenas um grão de areia no deserto. E não foi. Tomou partido nos conflitos de sua época. Ao seu modo, com seus limites e possibilidades, definiu-se ao lado do povo trabalhador, da Nação soberana, da justiça social, da democracia e do futuro socialista da Humanidade.
O que fomos? O que somos? O que seremos? Nenhum de nós pode fugir de tais indagações. Afinal, alcançamos uma consciência que nos diz que não estamos sós na sociedade em que vivemos, nessa sociedade conflituosa e tão carente de civilização, que dependemos uns dos outros, que não existimos somente no âmbito da nossa intimidade, dos nossos desejos e interesses pessoais, que também somos responsáveis pelo curso dos acontecimentos que poderão nos levar a bons ou maus resultados.
Os comunistas, desde sempre, cultivam esse compromisso incondicional com o tempo em que vivem e com a gente com que convivem. E também nessa época de virada de ano refletem, como todos, sobre essas questões existenciais das quais nunca nos apartamos. Compenetrar-se diante dos dilemas que nos desafiam, compreender a realidade que nos é dado viver, sua natureza, sua evolução; situar-nos diante das responsabilidades sociais que daí decorrem, na perspectiva de estarmos sempre voltados para a frente, para o futuro, para o progresso e o bem-estar da Humanidade. E nada pedir em troca, senão a satisfação incomensurável de poder sentir-se, diante de sua época e de seus contemporâneos, bem mais que um grão de areia no deserto
Um abraço a todos. Feliz Natal, os melhores votos para 2008 e até o dia 14 de janeiro, data em que a coluna retornará de um providencial recesso.
Luiz Manfredini, jornalista, escritor, colunista do portal Vermelho, membro do Secretariado e da Comissão Política do Comitê Estadual do PCdoB do Paraná, integra o Conselho Editorial da revista Princípios e da Editora Anita Garibaldi e o Conselho Nacional do Instituto Maurício Grabois (IMG).
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