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Aos novos camaradas

*Luiz Manfredini

Olá, camaradas!

Desejo compartilhar, com o conjunto dos leitores desse blog, a intervenção que fiz na plenária final da Conferência Estadual do PCdoB do Paraná, realizada neste domingo, dia 11, em Curitiba.

Saúdo a todos os delegados e delegadas a esta conferência que, pela presença, pelo entusiasmo, pelo conteúdo dos debates, pelo exercício da democracia interna, bem demonstram o quanto nosso Partido se desenvolve – e se desenvolve bem – em todo o Paraná.

Mas saúdo, com particular ênfase, os camaradas recém chegados ao Partido e que representam dois terços dos delegados aqui presentes. Homens e mulheres do povo que enxergaram no PCdoB uma ferramenta importante, decisiva na luta pelos interesses maiores do povo brasileiro.

Recebam deste velho comunista que fala em nome do nosso Comitê Estadual, o forte abraço, o aperto de mão fraternal, a saudação revolucionária. É uma honra para nós tê-los em nossas fileiras. Assim poderemos juntar nossos corações e mentes para lutarmos mais vigorosamente em defesa do nosso povo e da Nação brasileira.  

Desejo, camaradas, propor-lhes uma reflexão que me parece essencial.

O que distingue o PCdoB dos demais partidos políticos brasileiros, o que o torna singular, único?

Penso que a característica mais marcante do nosso Partido, sua natureza mais essencial, aquilo que melhor o define é que ele possui um objetivo de longo prazo que ultrapassa o horizonte dos demais partidos existentes hoje no Brasil.

O PCdoB não deseja conservar a sociedade brasileira tal como ela está. Também não se contenta em apenas remendá-la. O PCdoB quer, isto sim, transformar a sociedade brasileira. É, portanto, um partido da transformação social.

A transformação social proposta pelo PCdoB é fazer com que a sociedade deixe de ser capitalista e passe a ser socialista. Ou seja: uma sociedade com liberdade, progresso e justiça social, voltada para o bem estar da maioria da Nação, superando assim os males provocados pelo capitalismo e que ele, o capitalismo, já não pode mais resolver. 

Conquistar essa sociedade generosa e solidária, culta, sadia, próspera , livre e soberana é o objetivo maior do PCdoB, ou seja, sua estratégia.

Mas como chegar lá? Num pulo só, em dois ou três pulos? Não. Através de uma trajetória que pode e deve conter passos grandes, mas também passos pequenos, com altos e baixos, muitas vezes em ziguezague, com maior ou menor velocidade. Esses passos que damos rumo à nossa estratégia chama-se tática. 

Resumindo: 

A estratégia como o norte, o rumo geral, o objetivo maior; e a tática (ou as táticas), como os meios para atingir a meta estratégica. Ou seja: o socialismo é nosso objetivo maior, é nossa meta estratégica; os passos que devemos dar para chegar lá, constituem a tática. A estratégia não muda, mas a tática sim, pois ela depende de fatores que se alteram constantemente, principalmente relacionados à correlação de forças entre a maioria da Nação – que o Partido representa – e os seus inimigos. Se estamos mais fracos – como numa ditadura, por exemplo – avançamos mais lentamente para acumularmos forças. Se estamos mais forte – como agora nesse período democrático do Governo Lula – podemos avançar mais rapidamente. 

Para cada período da vida política do País, estabelecemos uma tática. Mas mesmo dentro de um período específico, a tática pode mudar. Tudo dependerá da marcha dos acontecimentos políticos. Recentemente o nosso partido flexionou sua tática, ao desligar-se dos alinhamentos quase que automáticos com o PT e compor, com outras agremiações, um bloco de esquerda no Congresso à margem do PT. É assim: às vezes uma tática dura muito pouco, às vezes dura anos.

Estratégica e tática, apesar de suas diferenças, não são categorias separadas entre si. Ao contrário, dependem uma da outra. Sem uma estratégia bem definida (e, sobretudo, compatível com a realidade sobre a qual se atua), a tática não passa de movimento errático. Por outro lado, sem a definição de táticas adequadas, a estratégia torna-se algo abstrato, perdida no espaço das intenções e, assim, inalcançável. 
 
Atuar no movimento social e político, na luta de idéias e no processo eleitoral percebendo claramente a dimensão estratégica dessa participação, ou seja, seu potencial de avanço (ainda que lento, gradativo) rumo aos objetivos estratégicos, é virtude capital de todos que militam no Partido Comunista do Brasil e que lutam por um Brasil democrático, justo, soberano e socialista.

Um abraço  todos e até segunda. 
 
ManfrediniLuiz Manfredini, jornalista, escritor, colunista do portal Vermelho, membro do Comitê Estadual do PCdoB do Paraná, do Conselho Editorial da revista Princípios, do Conselho Nacional do Instituto Maurício Grabois (IMG) e do Conselho Editorial da Editora Anita Garibaldi.

luiz-manfredini@uol.com.br

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