Líderes partidários repudiam violência no campo

A solução para a questão social que envolve a reforma agrária não deve ser caso de polícia, mas do diálogo das forças políticas envolvidas. Essa foi a principal conclusão da coletiva de ontem na Câmara Municipal de Cascavel, organizada por partidos políticos, movimentos sociais e sindicatos de diversos segmentos.

Na ocasião, 33 organizações assinaram uma nota de repúdio aos acontecimentos registrados no domingo na estação da Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste, no qual duas pessoas foram mortas durante um confronto envolvendo integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) e funcionários de uma empresa de vigilância privada.

As principais reivindicações dos líderes partidários que estiveram presentes foram: a intervenção da Polícia Federal na elucidação do caso e a punição aos responsáveis e a realização de audiências públicas das Comissões de Direitos Humanos da Alep (Assembléia Legislativa do Paraná) e da Câmara de Deputados.

A coletiva foi comandada pelo líder nacional do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra), Joaquim Ribeiro. “Nenhuma propriedade pode estar acima de duas vidas. As armas não podem falar mais alto que as bandeiras”, frisou Ribeiro.

O ex-deputado e presidente do PSB (Partido Socialista Brasileiro), Ernani Pudell, disse estar preocupado com os desdobramentos do acontecido. “Começar uma guerra é fácil, o difícil é prever o que pode vir na seqüência”, falou, cobrando também a intervenção da Procuradoria da República no fato.

O presidente do PCdoB (Partido Comunista do Brasil), Madson de Oliveira, também se mostrou apreensivo ao que pode acontecer futuramente, destacando que os responsáveis devem ser penalizados. “Tanto de um lado quanto do outro, a violência é inconcebível, seja do lado dos trabalhadores do MST quanto da empresa de segurança”, disse.

Já o dirigente do Psol (Partido Socialismo e Liberdade), Laerson Matias, aproveitou a oportunidade para fazer uma crítica ao governo federal em relação do processo de reforma agrária, exemplificando a falta de revisão dos índices de produtividade e o abandono das metas para assentamentos para reforma agrária.

Laerson também destacou que alguns produtores rurais da região estão dispostos a conceder terras para assentamento, mas o governo federal não está fazendo sua parte. “Fazendeiros da região estão dispostos, mas esse governo fica enrolando. Tudo isto está acontecendo porque o presidente Lula traiu os movimentos sociais. Ele poderia usar a maioria no Congresso, comprada no cabresto, para mudar algumas leis”.

Jornal Hoje

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